Friday, April 19, 2002

.. ouvindo e sentindo (ou parte I) ..

Numa sexta-feira... estranha e ironicamente calma, sozinha em casa, às vezes consigo até escutar meus pensamentos. Ou será que endoidei de vez ?

De mais ninguém - Marisa Monte & Arnaldo Antunes

Se ela me deixou,
A dor é minha só,
Não é de mais ninguém.
Aos outros eu devolvo a dó,
Eu tenho a minha dor.
Se ela preferiu
Ficar sozinha,
Ou já tem um outro bem.
Se ela me deixou
A dor é minha,
A dor é de quem tem.

É meu troféu,
É o que restou,
É o que me aquece
Sem me dar calor.

Se eu não tenho
O meu amor,
Eu tenho a minha dor.
A sala, o quarto,
A casa está vazia

A cozinha, o corredor.
Se nos meus braços
Ela não se aninha,
A dor é minha.

É o meu lençol,
É o cobertor,
É o que me aquece
Sem me dar calor.
Se eu não tenho
O meu amor
Eu tenho a minha dor


Tento... estudar, mas falta concentração. Engraçado como as músicas ganham interpretações totalmente diferentes de acordo com as situações que estamos vivendo... Mais uma vez, e agora sem cortes.

Codinome Beija-flor - Cazuza

Pra que mentir,
Fingir que perdoou ?
Tentar ficar amigos sem rancor
A emoção acabou,
Que coincidência é o amor
A nossa música nunca mais tocou

Pra que usar de tanta educação,
Pra destilar terceiras intenções ?
Desperdiçando o meu mel
Devagarinho, flor em flor
Entre os meus inimigos, beija-flor

Eu protegi teu nome por amor
Em um codinome, Beija-flor
Não responda nunca, meu amor
Pra qualquer um na rua, Beija-flor

Que só eu que podia
Dentro da tua orelha fria
Dizer segredos de liquidificador
Você sonhava acordada
Um jeito de não sentir dor
Prendia o choro e aguava o bom do amor

Prendia o choro e aguava o bom do amor

Tento... encontrar respostas. Penso mais adiante e os sentimentos se confundem dentro de mim. Será que não estou fazendo tudo errado ? Fugindo e mentindo pra mim mesma ? E se estou, até quando vou continuar agindo assim ? 'Nada é pra já'... será ? Será que algumas coisas podem esperar mesmo em silêncio ?

Futuros amantes - Chico Buarque

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio

Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios no ar
E, quem sabe, então o Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos
Sábios, em vão, tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas

Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização
Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber

Com o amor que eu um dia
Deixei pra você.

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